Texturas clássicas voltam às passarelas e marcam a elegância atemporal na nova temporada

A temporada internacional de inverno 2026 se encerrou oficialmente na última terça-feira (10), revelando algumas das direções mais consistentes do momento. Entre silhuetas e acessórios apresentados nas passarelas, dois materiais chamaram atenção pela força estética: a renda e o veludo. É de se pensar que essa seja uma retomada nostálgica, mas duas texturas surgem reinterpretadas em uma leitura de cenário que reflete o olhar contemporâneo sobre comportamento.

Nas grandes maisons, esse diálogo entre passado e presente se tornou evidente. Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, apresentou uma coleção que mistura referências naturais com um universo visual atravessado pelo digital, refletindo a forma como o mundo tem ressignificado a estética clássica. Essa discussão sobre o futuro da moda já vinha sendo explorada anteriormente, como por Miuccia Prada e Raf Simons nos desfiles da Prada em 2025, apontando para uma temporada mais reflexiva sobre impactos climáticos, culturais e tecnológicos e como passam a influenciar diretamente o vestir.

A renda e o jogo entre delicadeza e estrutura

Entre as presenças mais marcantes da temporada está a renda, material que divide opiniões, mas que permanece como um dos elementos mais atemporais do guarda-roupa feminino. Nas coleções de inverno 2026, ela retorna às passarelas com nova força, explorando a transparência e também contrastes de textura.

Durante a Paris Fashion Week, a modelo Bella Hadid atravessou a passarela da Saint Laurent em um vestido de renda preta transparente, de alças finas e decote em V, trazendo a elegância minimalista que tem marcado o momento. O impacto visual da peça mostrou como a renda pode equilibrar sensualidade e sofisticação quando aplicada com precisão.

Para a estilista Mayara Pinho, do Grupo Deep, o segredo está na composição. “A dica para a usabilidade é equilibrar a transparência da renda com cores sóbrias, como preto ou cinza. Isso traz sofisticação e torna a peça mais fácil de adaptar ao cotidiano”, explica.

A textura também aparece na coleção Archive, inverno 2026 da Deep, lançada no fim de fevereiro. Na proposta da marca fortalezense, a renda surge em diálogo com tecidos estruturados e tonalidades discretas, reforçando a ideia de um inverno mais leve e versátil, adaptado ao clima brasileiro.

Veludo ampliando sensações

Se a renda explora leveza e transparência, o veludo surge como contraponto de profundidade e densidade visual. O tecido, historicamente associado à sofisticação, voltou a aparecer com destaque nas passarelas da temporada.

Na apresentação da Jean Paul Gaultier, o veludo ganhou protagonismo em peças com drapeados assinados por Duran Lantink, evidenciando o potencial escultórico do material. No desfile, Duran trouxe o seu toque lúdico e a alfaiataria da casa, e a presença do tecido é um clássico incontornável.

“Mesmo quando as tendências mudam rapidamente, tecidos como o veludo permanecem relevantes. Ele pode aparecer em peças estratégicas para inserir cor e textura no look, além de trazer conforto e funcionalidade para o inverno”, acrescenta Mayara.

A força da tendência também já ultrapassou as passarelas. Durante a Paris Fashion Week, a atriz Chase Infiniti, do filme Uma batalha após a outra, acompanhou o desfile da Louis Vuitton usando um visual inteiramente em veludo roxo, com gola alta e botões ao longo da parte frontal, sinalizando como o tecido já começa a aparecer nas escolhas de celebridades fora do ambiente das apresentações oficiais.

Entre transparências delicadas e texturas profundas, renda e veludo mostram que o inverno de 2026 não está apenas interessado no novo. A temporada aponta para uma moda que revisita materiais clássicos, ressignificando-os dentro de um contexto contemporâneo, onde elegância e funcionalidade caminham lado a lado.